RAC é destaque no GazzConecta da Gazeta do Povo com inovação na indústria da construção civil  

O caminho parecia ser de retomada, mas os últimos dados da produção industrial do Paraná, divulgados na última quarta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontaram para uma leve retração do setor. Em relação a junho, o estado teve queda de 0,3% da produção em julho, revertendo o ritmo de recuperação verificado nos dois últimos meses do primeiro semestre de 2020. 

Ricardo Cansian, fundador da RAC Engenharia, empresa que há oito anos investe em tecnologia e inovações no setor de construção civil. Foto: Sade Produções/Bruno Debiasi.|  

Em comparação com julho do ano passado, o resultado segue sendo negativo (-9,1%). No acumulado do ano, a produção industrial fechou com saldo de -8,6%. De acordo com os dados da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), o setor automotivo continua sendo o mais impactado pela pandemia do coronavírus, apresentando -42,4% de queda em julho, seguido pelos segmentos de bens de capital (máquinas e equipamentos), com retração de -34,9%, e de produtos de madeira (-13,5%). 

A inversão da curva de crescimento da produção no estado evidencia o cenário de incertezas que o setor vem enfrentando ao longo do ano. No entanto, se o volume produzido não atingiu níveis esperados, a indústria do Paraná pode comemorar um índice importante. O setor liderou o ranking de oferta de empregos em julho, com um total de 6.560 novos contratos de trabalho. 

Segundo os dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), disponibilizados pela Fiep, esta é a segunda alta consecutiva do ano – em junho, a indústria já havia registrado saldo positivo de 1.500 novas vagas. O setor da construção civil foi o segundo a apresentar alta no mês, com 2.003 novos empregos, liderando a oferta de vagas no acumulado do ano (9.293 novos postos de trabalho no total). 

Novas oportunidades 

A oferta de empregos no setor de construção civil indica um aquecimento da atividade no estado nos últimos meses. No caso da RAC Engenharia, de Curitiba, a pandemia contribuiu para que novos projetos fossem fechados, aumentando o número de contratações temporárias em obras em diferentes locais do Brasil. 

De acordo com Ricardo Cansian, proprietário da RAC, novas demandas fizeram aumentar o número de contratações. “Toda a cadeia produtiva do segmento de Engenharia percebeu essa demanda nos últimos meses”, comenta o engenheiro que entregou, durante a pandemia, dois grandes hospitais, o Erastinho, em Curitiba, e o Centro Hospitalar para a pandemia de Covid-19 do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, hospital de alta complexidade com 9,2 mil m² no Rio de Janeiro, com projeto e obra concluídos em tempo recorde de 50 dias. 

A empresa ainda conquistou dois projetos de caráter emergencial na área da saúde durante a pandemia, como uma nova fábrica de vacinas para a gripe H1N1 para o Instituto Butantan, em São Paulo, e um centro de testagem sorológica para Covid-19 também da Fiocruz, no Rio de Janeiro, concluído no último mês. 

Segundo Cansian, a RAC se especializou em projetos para a área da saúde ao longo dos seus quase 20 anos de atuação, com atuação em seis estados brasileiros. Mas o fator determinante para a aquisição de contratos como os da Fiocruz, além de cumprir com todos os aspectos técnicos exigidos nas licitações, é o tempo.  “E, para isso, é fundamental a inovação e tecnologia para auxiliar no desenvolvimento dos projetos e execução das obras com agilidade e eficiência”, revela. 

BIM: ferramenta de inovação 

Dentre as soluções inovadoras no setor de Engenharia desenvolvidas pela empresa nos últimos anos, está a implementação da tecnologia BIM nos processos de modelagem, planejamento, orçamento e execução dos projetos. Apesar de o Building Information Modeling (BIM) ou Modelagem da Informação da Construção ser um assunto já debatido no meio acadêmico desde a década de 1970, foi nos últimos dez anos que o Brasil acompanhou mais de perto o avanço deste conceito ou metodologia aplicado na gestão de projetos, de acordo com a coordenadora de negócios do Instituto Senai de Tecnologia em Construção Civil, Letícia Gonçalves. 

“O BIM ainda representa uma enorme inovação para a indústria da construção no Brasil. Ele é uma tecnologia que permeia todo o ciclo de vida de uma edificação, integrando diferentes aspectos de uma obra em uma modelagem tridimensional, concentrando as inúmeras informações necessárias para gestão do projeto. Em outras palavras, o BIM é capaz de integrar todas as disciplinas envolvidas em uma construção, como projeto arquitetônico, hidráulico, elétrico, etc. Além disso, consegue assimilar os diversos tipos de informação de cada uma delas, como custo, especificação de material, tempo de execução, entre outras. Dessa forma, é possível criar uma simulação virtual da construção, com detalhes da execução antes de iniciar a obra”, explica Letícia. 

A utilização dessa metodologia, segundo a coordenadora no Senai, ganhou maior força nos últimos dois anos, depois que um decreto do então presidente Michel Temer instituiu a Estratégia BIM BR, que exige a utilização do BIM nas compras do poder público de forma escalonada a partir de 2021. “Há uma razão para essa exigência. Com o uso do BIM, é possível maior definição do projeto e precisão do planejamento, reduzindo assim incertezas, interferências e retrabalhos, antecipando riscos que poderiam surgir na etapa de execução das obras, refletindo diretamente na redução da celebração de termos aditivos e desperdícios”, comenta. 

“Além disso, a tecnologia é capaz de prever com maior precisão os custos e o tempo de execução de uma construção, garantindo mais eficiência, transparência e sustentabilidade”, completa Letícia, que também é responsável pelo Programa de Residência BIM do Sena que busca implementar a tecnologia em construtoras, incorporadoras e escritórios de projeto, além de auxiliar na formação de profissionais especializados no tema. 

Força da tecnologia 

Uma das primeiras empresas paranaenses a incluir a metodologia em seus projetos, desde 2012 a RAC se dedica a desenvolver soluções mais eficientes de Engenharia com a utilização do BIM. A empresa, inclusive, criou a BPRO Smart BIM, uma spin-off de desenvolvimento de estratégias e inovações em construção com a aplicação da tecnologia. 

“O BIM traz uma mudança radical na forma como entendemos e executamos um projeto, abrindo espaço para o desenvolvimento de novos softwares, novas startups e novas soluções em edificações. Este caminho de inovação nos levou a não só explorar a metodologia em projetos para sermos mais assertivos, mas também a abrir um campo de parcerias com startups que possibilitassem uma maior integração de tecnologias aplicadas à construção civil, um setor em que a inovação sempre foi um desafio”, avalia Cansian. 

O trabalho colaborativo permitiu que a RAC também desenvolvesse um método de monitoramento da qualidade dos ambientes construídos a partir de simulações nas quais o BIM é aplicado. “Por meio de sensores, conseguimos ter acesso a informações relativas à qualidade do ar, ao consumo de energia, à iluminação e outros aspectos relativos ao conforto e à sustentabilidade dentro do ambiente construído com a finalidade de atingir mais sustentabilidade e garantir melhor qualidade de vida para o ocupante daquele espaço”, conta. A ferramenta desenvolvida pela empresa já está sendo testada no Erastinho, primeiro hospital oncopediátrico do Paraná, inaugurado no dia 1º de setembro de 2020 em Curitiba. 

Texto de Fernando Henrique de Oliveira, especial para GazzConecta 

*Reprodução de matéria publicada no GazzConecta da Gazeta do Povo 

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